Automedicação: como a educação em saúde pode contribuir para essa prática?

Qual a diferença de automedicação e autoprescrição?

O termo automedicação é utilizado no Brasil de uma forma diferente do resto do mundo. Aqui o termo é confundido com a autoprescrição, que é a prática (incorreta) de comprar e utilizar remédios tarjados sem a receita/prescrição de um médico. Por isso, definimos a utilização responsável dos MIPs (medicamentos isentos de prescrição) como sendo uma prática de autocuidado, que está alinhada com a classificação da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Qual o papel do farmacêutico diante desse cenário?

Para a prática do autocuidado o papel do farmacêutico é muito importante, principalmente nos casos em que o consumidor tenha dúvidas sobre a utilização de um MIP, sendo que algumas categorias de medicamento dependem mais da orientação do profissional do que outras. Na categoria de xaropes, por exemplo, uma categoria sazonal, muitas vezes o consumidor chega à farmácia sem saber o que comprar e solicita uma orientação ao farmacêutico.

Como criar uma cultura de educação em saúde na população?

A criação de uma cultura de educação em saúde está relacionada ao fortalecimento das práticas do autocuidado. Além de garantir amplo acesso à saúde pública, é preciso estimular cada vez mais a população a pensar sobre seu estilo de vida, assumindo hábitos saudáveis (relacionados à atividade física, à alimentação e ao lazer, por exemplo) e, estimular também, à correta utilização dos medicamentos isentos de prescrição.

O Brasil é um país com condições de implantar essa cultura?

Acreditamos que sim. A prática do autocuidado vem crescendo no decorrer dos anos devido a fatores socioeconômicos, estilos de vida, acesso aos medicamentos, e faz parte das políticas públicas do Sistema Único de Saúde (SUS) e das diretrizes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Entendemos que um trabalho conjunto dos setores público e privado possa garantir cada vez mais uma implementação da cultura de educação em saúde no Brasil. Nesse sentido, a ABIMIP reconhece a importância da comunicação no estímulo ao autocuidado, tendo o consumidor no centro das ações. Ao longo de 2016, pretendemos promover a importância do autocuidado frente aos principais stakeholders, tornando-se referência na geração de conteúdo relacionado ao tema.

O que muda na lei de switch? Por favor, detalhe as mudanças e os impactos para o consumidor e para os laboratórios.

A nova norma sobre MIPs apresenta um modelo de regulação mais funcional que permite à Anvisa uma avaliação sobre os pedidos de switch a partir de critérios bem estabelecidos, baseados em uma documentação mais robusta no que se diz respeito ao perfil de segurança do uso do medicamento.
Entendemos que o impacto é grande e positivo, tanto para a população quanto para os laboratórios. Segundo a Anvisa, em sua justificativa para a revisão da norma, “a ausência de atualização da lista nos últimos 12 anos impossibilitou que medicamentos que tivessem perfil de segurança e uso compatíveis com a venda sem prescrição fossem incorporados a essa categoria de venda, o que em última instância pode ter dificultado o acesso da população a obtenção de tratamento adequado”. A nova norma representa, portanto, uma ampliação ao acesso da população à obtenção de novos MIPs e, consequentemente, um aumento do mercado e das oportunidades aos laboratórios.

Marli Sileci: é vice-presidente executiva da ABIMIP com 27 anos de experiência na indústria farmacêutica. Graduada em Direito pela PUC-SP, possui experiência na área de legislação farmacêutica, em especial na área de medicamentos de venda livre